No período de festas de fim de ano, o consumo de álcool chega a dobrar em comparação com o restante do ano. Confraternizações de trabalho, encontros entre amigos e reuniões familiares tornam o brinde frequente e, nesse contexto, muitas pessoas afirmam beber apenas de forma social. No entanto, especialistas alertam que esse hábito pode trazer riscos à saúde física e mental, mesmo quando não há episódios evidentes de embriaguez.
De acordo com o psiquiatra Tunai Galvão, o consumo de álcool costuma ser subestimado. “Existe a ideia de que só há problema quando a pessoa perde o controle ou passa mal. Mas o álcool começa a impactar o sono, o humor, a ansiedade e o funcionamento do cérebro antes disso, mesmo em quantidades consideradas ‘normais’”, explica.
O especialista destaca que não é apenas a quantidade ingerida que deve ser observada, mas também a frequência e o papel que o álcool passa a ocupar na rotina. “Quando beber vira uma forma de aliviar o estresse, a ansiedade ou lidar com emoções difíceis, mesmo que só nos fins de semana ou em festas, já estamos diante de um padrão que merece atenção”, afirma.
Estudos científicos apontam que não existe uma dose totalmente isenta de risco, mas há limites considerados de baixo risco, que variam conforme fatores individuais. Ultrapassar esses limites de forma recorrente pode afetar a saúde mental, prejudicar o sono e aumentar quadros de ansiedade e irritabilidade, muitas vezes sem que a pessoa perceba a relação direta com o álcool.
Tunai Galvão ressalta ainda que intervenções simples podem fazer diferença. “Pesquisas mostram que conversas breves, claras e sem julgamento, com duração de apenas um a cinco minutos, já conseguem reduzir o consumo de álcool em muitas pessoas. A informação correta, quando bem comunicada, tem impacto real no comportamento”, pontua.
A mensagem é de reflexão e cuidado, especialmente neste período do ano. “Talvez muita gente não beba em excesso aos próprios olhos, mas isso não significa que o consumo seja tão social ou inofensivo quanto parece”, conclui o psiquiatra.
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