A cantora Raquel Santana lança o seu primeiro disco e álbum visual no dia 31 de dezembro. Intitulado “Canto e Espanto o Teu Quebranto”, a obra evoca a rica musicalidade da cultura popular pernambucana e nordestina, além de abraçar outros ritmos negros e indígenas como a cumbia, o afrobeat e o rap. As canções falam sobre temas como racismo, machismo, maternidade solo, reforma agrária e celebram Caruaru, cidade da cantora.
O disco possui 12 faixas, compostas pela artista e outros compositores e poetas pernambucanos: Ana Letícia Cordeiro, Luann Ribeiro, Lucimary Passos, Germano Rabello, Bell Puã e Mc Caracol. O álbum também conta 3 poemas musicados a partir da obra de Solano Trindade: Olorum Okê, Maracatu da boneca de cera e Xangô.


Raquel Santana iniciou na música há 18 anos como uma das vocalistas da banda Casas Populares da BR 232 e explica que começou a escrever as canções desse disco após se tornar mãe: “Antes da maternidade tinha muita dificuldade em compor. A experiência de ter e criar filhes foi uma abertura de um portal criativo para mim”. A inclusão de poemas de Solano Trindade veio a partir de sua atuação dentro do Coletivo A Literatura Também Tem Pele Preta, dedicado à divulgação de escritores e escritoras afro-brasileiros. “Durante a pandemia nós demos um curso virtual sobre a vida e obra de Solano Trindade. Foi a partir daí que vieram as músicas dos poemas de Solano, o eterno poeta do povo” pontua Raquel.
O disco conta com participações de Gabi da Pele Preta, Chris Mendes, Joana Xeba, Bell Puã, Mc Caracol, Dj Nino Scratch, Gabriel Bezerra, Rosberg Adonay e Maracatu Cambinda Nova. Ranuzia Melo, mãe da cantora, participa de duas faixas do disco, e seus filhos Ginga e Erasto estão presentes na música Quer ficar com mamãe. A produção musical do trabalho é de Zé Barreto de Assis e os arranjos são de Gabriel Bezerra.
ÁLBUM VISUAL
Das 12 canções do projeto, 9 estão incluídas em um álbum visual. O vídeo teve entre suas locações o Assentamento Normandia/MST e o Sítio Carneirinho, local com concentração de pinturas rupestres e fósseis de animais pré-históricos. “A escolha do MST foi pela contribuição enorme desse movimento para a melhoria de vida dos povos do campo de todo o Brasil. Já o Sítio Carnerinho foi o cenário perfeito para as músicas Aurorinha e O maracá em Caruaru, que falam sobre a identidade indígena de nosso território”.
O audiovisual do disco tem direção de Túlio Beat, roteiro e produção executiva de Raquel Santana, fotografia de Felipe Correia, montagem de César Caos, produção de Katarina Machado e Joyce Noelly e figurino e maquiagem de Paulo Conceição. As acessibilidades (audiodescrição e legenda para surdos e ensurdecidos) foram realizadas pela COM Acessibilidade Comunicacional.
LANÇAMENTOS
Canto e Espanto o Teu Quebranto vem sendo lançado desde maio deste ano através de singles e clipes nas plataformas de streaming. A música tema, Afoxé contra o quebranto foi ao ar no dia 20/12, quando também aconteceu uma audição coletiva do disco na Casa Cultural Respira, no centro de Caruaru. O álbum visual completo já teve lançamentos presenciais na Associação Caruaruense dos Cegos – ACACE e no Boi Tira Teima. O primeiro show já tem data marcada: 27 de março de 2026, no Sesc Caruaru. O disco e álbum visual Canto e Espanto o Teu Quebranto possuem incentivo da Lei Paulo Gustavo (Caruaru e Pernambuco).
Foto: Ythalla Maraysa
