O transplante renal entre doadores vivos tem se consolidado como uma das principais alternativas para reduzir o tempo de espera de pacientes com insuficiência renal crônica e aumentar as chances de sucesso do procedimento. Diferente do transplante com doador falecido, essa modalidade permite melhor planejamento cirúrgico, menor tempo de isquemia do rim e índices mais altos de sobrevida do enxerto. A modalidade permite antecipar o tratamento de pacientes com doença renal crônica, melhorar a qualidade de vida e ampliar as chances de sucesso do procedimento, além de contribuir diretamente para desafogar a fila de transplantes no país.
No Brasil, o rim é o órgão mais transplantado e, também, o mais procurado: mais de 40 mil pessoas estão na fila de espera. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), até setembro de 2025, cerca de cinco mil transplantes renais foram realizados no país. Desses, apenas 13% foram feitos com doadores vivos. Em Pernambuco, nesse período, 343 transplantes de rins foram realizados; 23 deles com doadores vivos. Dos 23, doze foram feitos no Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Segundo o urologista Eugênio Lustosa, preceptor de Urologia do Hospital das Clínicas, da UFPE, e especialista em transplante renal, a doação entre vivos apresenta vantagens clínicas importantes. “O rim doado por uma pessoa viva geralmente funciona mais rápido e por mais tempo, algo em torno de 15 a 20 anos. Além disso, o paciente pode ser transplantado antes mesmo de iniciar a diálise ou logo no início do tratamento”, explica.
Como acontece a doação entre vivos
A doação renal entre vivos é permitida no Brasil desde que exista vínculo familiar ou autorização judicial, no caso de não parentes. O processo envolve uma avaliação rigorosa do doador, com exames clínicos, laboratoriais, de imagem e acompanhamento psicológico, garantindo que a doação não traga prejuízos à sua saúde.
“A segurança do doador é absoluta. Só seguimos com a cirurgia quando temos certeza de que ele poderá levar uma vida normal com apenas um rim”, ressalta Lustosa. O procedimento é feito, na maioria dos casos, por técnicas minimamente invasivas, o que reduz o tempo de internação e acelera a recuperação.
Cirurgia no HC-UFPE
No início deste mês de fevereiro, o Hospital das Clínicas da UFPE, referência em transplantes no estado, realizará um transplante renal entre doadores vivos. Um agricultor do município de Primavera, na zona da mata de Pernambuco, vai doar um rim para a irmã. A cirurgia será conduzida pela equipe de Urologia, sob coordenação do dr. Eugênio Lustosa.
Para o médico, casos como esse reforçam a importância da informação e da conscientização. “Além da técnica e da ciência, o transplante entre vivos carrega uma dimensão humana muito forte. É um gesto de solidariedade que transforma a vida de quem recebe e, muitas vezes, de toda a família”, afirma.
Com taxas de sucesso que ultrapassam 90% de funcionamento do enxerto após cinco anos, o transplante renal entre doadores vivos segue como uma estratégia fundamental para ampliar o acesso ao tratamento e melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes em Pernambuco e no Brasil.
