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Uso de glitter perto dos olhos exige atenção durante o Carnaval

O glitter está no topo da lista dos itens praticamente essenciais para quem curte o Carnaval. No entanto, quem aposta no brilho precisa ficar atento: a aplicação inadequada do produto, especialmente nas proximidades dos olhos, pode causar lesões oculares e infecções.

A oftalmologista do Instituto de Olhos Recife (IOR), Luciana Valença, alerta para os tipos de danos que o adereço pode provocar. “O glitter funciona como um corpo estranho. Ele pode causar desde irritação e conjuntivite mecânica até arranhões/lesões na córnea, chamados de abrasões corneanas”, explica a médica. Lesões oculares provocadas pelo glitter costumam causar dor intensa, ardor, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão borrada. Quando há arranhão da córnea, a proteção natural do olho fica comprometida, aumentando o risco de infecções, especialmente as ceratites bacterianas.

Segundo a oftalmologista, algumas pessoas apresentam maior risco caso o glitter entre em contato com os olhos. “Pessoas com olho seco, blefarite, doenças da córnea, quem passou por cirurgia ocular recente ou usa lentes de contato têm a superfície ocular mais vulnerável. Nessas situações, o glitter pode causar mais inflamação, cicatrizar pior e elevar o risco de infecção”, alerta Luciana.

Atualmente, existe uma grande variedade de glitters, desde os escolares e têxteis até os específicos para maquiagem na região dos olhos. A escolha correta do produto pode fazer a diferença entre um Carnaval de alegria ou de desconforto ocular. De acordo com a especialista, o glitter comum pode ser mais perigoso para a saúde dos olhos. “O glitter artesanal ou não certificado costuma ter partículas irregulares, com bordas ásperas, além de não passar por controle de qualidade rigoroso. Isso aumenta a chance de arranhar a córnea”, afirma. “Mesmo o glitter cosmético, próprio para a pele, não é totalmente seguro para os olhos. Pele não é córnea, e qualquer partícula sólida pode se tornar um problema ao entrar em contato com o olho”, complementa.

Dicas para um Carnaval com brilho e saúde ocular – Para aproveitar os dias de folia com segurança, a especialista lista algumas orientações importantes:

  • Sempre que possível, evite o uso de glitter nas proximidades dos olhos
  • Caso utilize, prefira glitter cosmético, próprio para uso no rosto
  • Pigmentos prensados e sombras com efeito glitter são menos arriscados, pois soltam menos partículas que podem cair nos olhos
  • Utilize primer ou cola específica para glitter, aprovada para a área dos olhos
  • Aplique com pincel macio ou com a ponta do dedo, em movimentos leves
  • Nunca aplique glitter solto diretamente acima da linha d’água
  • Use demaquilante bifásico ou óleo próprio para remover a maquiagem dos olhos
  • Lave bem as mãos antes e depois da maquiagem
  • Não compartilhe pincéis ou produtos

Entrou glitter nos olhos: o que fazer?

Caso o glitter entre em contato com os olhos, a orientação é não esfregar, mas lavar imediatamente com bastante água corrente limpa. Quem usa lente de contato deve retirá-la e não recolocá-la. “Em hipótese alguma se deve tentar remover o glitter com cotonete, pinça ou unhas, pois isso pode agravar muito a lesão”, reforça Luciana Valença.

Se o folião ou foliã apresentar sintomas como dor persistente ou intensa, sensibilidade forte à luz, visão embaçada, sensação de areia que não melhora após a lavagem, vermelhidão importante, secreção ou dificuldade para abrir os olhos, é fundamental procurar atendimento médico. “Usuários de lente de contato devem buscar ajuda com ainda mais rapidez”, alerta a oftalmologista.

Atenção também para as pomadas capilares

Em janeiro de 2025, Pernambuco registrou mais de 20 casos de lesões oculares provocadas por pomadas capilares ainda durante as prévias de Carnaval. Neste ano, o alerta para esse tipo de produto continua. “Muitas pomadas, especialmente as irregulares, causaram queimaduras químicas nos olhos ao escorrerem com suor, chuva ou água de piscina durante o ano passado. A recomendação é usar apenas produtos regularizados, evitar aplicar próximo à testa e, em caso de contato com os olhos, lavar imediatamente e procurar avaliação médica se surgirem sintomas”, conclui Luciana Valença.

Foto: Divulgação

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