Pular para o conteúdo

Fique Sabendo PE

Noite Afro consagra a diversidade no Polo Azulão e encerra programação com show do Ilê Ayê

O Polo Azulão, reconhecido como o grande reduto da diversidade musical no São João de Caruaru, encerrou sua programação, nessa terça-feira (23), véspera de São João, com uma verdadeira exaltação à ancestralidade. Após abrir o calendário de festejos deste ano com a Noite Gospel, o espaço reafirmou seu compromisso com a democratização cultural e religiosa ao dedicar seu encerramento à cultura de matriz africana com a Noite Afro.

A programação teve início com a força do “Encontro de Ogãs”. Momento no qual o polo foi inundado de axé, ecoando uma forte mensagem de paz, união e, sobretudo, de preservação da herança negra. O ato reverenciou as raízes religiosas e emanou energias positivas para dias melhores, preparando o espírito do público para as próximas atrações.

Em seguida, o palco deu espaço à nova geração da música pernambucana, com o show de Driko. O artista subiu ao palco para apresentar ao público as canções de seu mais recente trabalho, intitulado “Reflorescer”. Para o cantor e compositor Driko, quando um artista que é local consegue desenvolver seu próprio trabalho a partir de políticas públicas e consegue atingir um dos maiores festivais do país, como é o São João de Caruaru, e mostrar o que ele produz pra o mundo, é de suma importância e valor pra o artista.

“Eu era público há alguns anos e estar nesse palco, hoje, é a realização de um sonho. Ao receber o convite, pensei: vou buscar minhas memórias afetivas dos meus São Joões e passar pra quem está público, agora, minha gratidão ao me apresentar nesse polo, em uma data tão especial para o Nordeste, como é a véspera de São João”, pontuou Driko.

A noite seguiu com a consagrada cantora Gerlane Lops, que trouxe toda a sua bagagem musical em um show especial que celebra os seus 30 anos de carreira.

Dando continuidade à programação, o Mestre Colibri Brasil assumiu o comando da festa com seu mais novo trabalho: “Vozes Negras”. O cantor fez um passeio por composições imortalizadas por grandes intérpretes da Música Popular Brasileira (MPB), destacando a contribuição inestimável da população negra para a identidade sonora do país.

O fechamento dos festejos no Polo Azulão ficou sob a responsabilidade de um dos maiores patrimônios culturais do Brasil: o Grupo Ilê Aiyê. Com mais de 50 anos de trajetória, o primeiro bloco afro do país é amplamente reconhecido por aproximar as linguagens do samba-reggae e dar ênfase máxima às matrizes africanas.

O show entregue pelos baianos foi muito além de uma apresentação musical, consolidando-se como uma grande manifestação da religiosidade e da força do povo negro. A percussão inconfundível do “Mais Belo dos Belos” levantou o público com uma verdadeira carga de energia, promovendo uma celebração que mesclou os elementos culturais e religiosos da cultura afro-brasileira.

O grupo levantou o público em um coro só ao entoar os sucessos que marcam a sua história de resistência e beleza, como “Que Bloco é Esse”, “Depois que o Ilê Passar”, “Charme da Liberdade” e “Deusa do Ébano”.

Segundo Graça Onasilê, a expansão da cultura e religiosidade afro é condicional para perpetuação e respeito ao povo negro. “Divulgamos nossa cultura através de temas e poesias, que é uma forma rápida e ampla, onde as pessoas são inseridas pelo ritmo da nossa religião e cultura. Nos sentimos honrados por estar participando do São João de Caruaru, por mais um ano. Os festejos se tratam de uma festa que também tem a ver com a cultura e a mistura das raças” ressaltou Graça.

Ao misturar ritmos, gerações e crenças, o Polo Azulão provou que as festividades juninas são, acima de tudo, um espaço de pluralidade, encerrando o ciclo de shows deste ano com uma mensagem inesquecível de respeito e exaltação à cultura afro-brasileira e à pluralidade.

Foto/ Capa: Isabelle Ramos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *