O Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (Nacc) vai receber, nesta quarta-feira (15), às 15h, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.
Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.
A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
Durante a visita, serão abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.
O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.
Para o Nacc, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.
“O Nacc se sente honrado em participar e ter voz em um projeto desta grandeza, que visa respeitar o direito do paciente a um atendimento digno, humanizado e o mais precoce possível, de modo a contemplar todas as especificidades necessárias a cada diagnóstico. O papel da casa de apoio é fundamental, por que não dizer imprescindível? para alcançar a excelência a ser oferecida”, reforça a diretora-presidente do Nacc, Arli Pedrosa.
O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.
Sobre o Nacc – O sucesso no tratamento do câncer infantojuvenil vai muito além dos protocolos médicos e da quimioterapia. Para crianças e adolescentes que enfrentam a doença, a existência de uma rede de apoio sólida e a presença constante da família são fatores determinantes para a cura. É nesse cenário que o Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (Nacc), localizado na Zona Norte do Recife, atua há quatro décadas, transformando o acolhimento em uma ferramenta de sobrevivência.
Fundado em 1985, o Nacc nasceu justamente para preencher uma lacuna crítica: o abandono do tratamento. Na época, cerca de 30% dos pacientes vindos do interior de Pernambuco desistiam das consultas por falta de recursos financeiros, alimentação ou um lugar digno para ficar na capital. Hoje, graças à estrutura da instituição, esse índice foi drasticamente reduzido para menos de 1%. A instituição acolhe mensalmente cerca de 120 pessoas, divididas entre os pequenos pacientes e seus familiares/acompanhantes.
Até este ano de 2026, o Nacc já atendeu cerca de 8.659 usuários. Desse total, 60% dos pacientes pernambucanos são do interior do estado, e outros 2.132 vieram de outras regiões do país. Para essas famílias, a instituição funciona como o principal elo com a chance de cura.
Foto: Alan Rodrigues
