O aumento da expectativa de vida dos brasileiros tem transformado uma realidade antes pouco debatida: cada vez mais filhos, netos e sobrinhos assumem o cuidado de familiares idosos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2030 o Brasil terá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 14 anos. É justamente esse cenário que inspira a dentista Silvana Silveira em seu primeiro livro, “Três Vidas, Duas Mãos”, uma obra baseada em fatos reais que aborda, com sensibilidade e sinceridade, o cotidiano de quem dedica parte da vida a cuidar de quem um dia foi seu maior amparo.
Mais do que um relato autobiográfico, o livro apresenta uma reflexão sobre a inversão dos papéis familiares, quando aqueles que antes protegiam passam a depender do cuidado dos filhos, netos ou sobrinhos. A narrativa acompanha quase 18 anos da convivência da autora com três mulheres que marcaram sua infância e que, no fim da vida, precisaram de suas mãos para enfrentar as limitações impostas pelo envelhecimento e pelas doenças que comprometem a memória.

Ao longo das páginas, Silvana conduz o leitor por lembranças afetivas, episódios marcados pelo humor e momentos de profunda emoção. Sem romantizar o papel do cuidador, ela também revela sentimentos muitas vezes silenciados, como medo, culpa, exaustão e solidão, mostrando que o amor pode cansar sem deixar de ser amor.
Para a autora, a obra nasceu da necessidade de compartilhar uma experiência que se repete diariamente em milhares de lares brasileiros, mas que ainda recebe pouca atenção da sociedade. “Quero que este livro seja um abraço para quem cuida. Durante muito tempo pensei que enfrentava essa caminhada sozinha, até perceber que existem milhares de pessoas vivendo os mesmos desafios. Se esta leitura acolher ao menos uma delas, já terá cumprido seu propósito”, afirma Silvana Silveira.
Ao unir memória, afeto e realidade, “Três Vidas, Duas Mãos” dialoga não apenas com cuidadores e familiares, mas também com profissionais da saúde e todos aqueles que convivem com o envelhecimento. A obra reforça que o cuidado vai muito além das necessidades físicas e que, mesmo quando a memória desaparece, o amor continua sendo a herança mais valiosa.
