Depois de um processo de criação que atravessou cerca de dois anos e meio e acompanhou diferentes momentos de sua vida, o cantor e compositor Romero Ferro apresenta “OURO”, álbum multissensorial já disponível nas plataformas digitais. Com 12 faixas e participações de Luiz Lins, Àttooxxá, Catto, Ylana e Coco Raízes de Arcoverde, o trabalho encerra a trilogia iniciada em “Arsênico” e “Ferro” a partir de uma perspectiva mais íntima sobre a trajetória do artista, trazendo experiências de identidade, pertencimento e reencontro em uma narrativa que parte do agreste pernambucano para dialogar com diferentes territórios e sonoridades.
O título “OURO” sintetiza a principal ideia que atravessa o projeto: aquilo que é precioso não está necessariamente fora, mas naquilo que cada pessoa carrega dentro de si. Romero associa o ouro à identidade e à luz interna de cada ser humano, em um movimento que acompanha sua própria trajetória – sair do interior, atravessar diferentes lugares e, no caminho, se perder para depois se reencontrar. O álbum nasceu justamente desse processo de entendimento sobre seu lugar como artista e protagonista da sua história. “O álbum é um pouco assim, né? Ele tem uma curadoria criativa e sonora que tem muito a ver comigo, com as coisas que eu acredito para minha vida”, explica.
Esse entendimento também passou pela decisão de abraçar as suas próprias particularidades. O retorno ao agreste pernambucano para a construção dos audiovisuais funcionou como um reencontro com as raízes e com uma identidade que, durante muito tempo, Romero tentou suavizar. “Por muito tempo cresci num movimento onde éramos ensinados indiretamente a não abraçar as nossas raízes, porque passamos um tempo achando que não eram tão interessantes quanto as raízes de pessoas que estavam na capital de São Paulo, por exemplo”, relembra.
É desse reencontro que surge também a sonoridade, que aproxima referências da cultura popular nordestina de elementos contemporâneos. Coco, maracatu, cantigas de roda, forró, baião, brega, brega funk, pop, rock e MPB aparecem lado a lado com beats eletrônicos, em uma leitura que atualiza tradições sem perder sua origem. Inspirado por nomes como Chico Science e Dominguinhos, o projeto amplia o repertório de Romero a partir de uma identidade musical conectada às suas raízes.
Essa mistura aparece também em escolhas inesperadas dentro do repertório. Entre elas está uma regravação de “O Tempo Não Para”, de Cazuza, apresentada em uma leitura que aproxima a canção do forró e do piseiro. Outra faixa, “Meio do Caminho”, utiliza um sample de Dominguinhos e carrega uma das histórias mais pessoais do álbum, conectando a infância de Romero no agreste a um encontro marcante com o músico, ainda quando o artista era criança. A canção também aborda sua sexualidade e o processo de aceitação dentro de casa, transformando uma experiência íntima em parte da própria narrativa musical.
As participações também foram pensadas a partir das conexões do artista com diferentes gêneros da música brasileira. Luiz Lins e Àttooxxá integram o repertório, somando diferentes perspectivas à narrativa e ampliando a pluralidade sonora do álbum.
Visualmente, “OURO” expande a narrativa para o território onde boa parte dessas histórias surge. Gravados no interior de Pernambuco, os audiovisuais incorporam elementos pessoais e familiares de Romero, incluindo objetos carregados de memória e reforçando a conexão entre sua trajetória e a identidade do projeto.
A proposta de criar uma experiência que possa ser sentida de diferentes formas também está no centro do trabalho de acessibilidade. Todas as faixas serão acompanhadas por videoperformances em Libras, nas quais intérpretes traduzem, interpretam e vivem cada canção por meio da Língua Brasileira de Sinais e da expressão corporal. Os visualizers foram desenvolvidos com a participação do consultor de acessibilidade Maurício Spinelli e da intérprete de Libras Nayara Rodrigues, incorporando a língua de sinais à própria linguagem artística do álbum.
Para Romero, a intenção é ir além da adaptação de um conteúdo já pronto e criar novas possibilidades de experiência para cada música. “Acredito que a arte fica ainda mais bonita quando consegue incluir mais pessoas”, afirma. A iniciativa conta com o apoio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (PROAC), que patrocina parte do projeto.
Sobre Romero Ferro
Dono de hits contagiantes, com elementos da música tropical brasileira e timbres icônicos dos anos 80, Romero Ferro transita pelo brega pernambucano, pop tropical e new wave. O cantor, natural de Garanhuns (PE), começou a se destacar a partir do álbum “Arsênico” (2016) e se consolidou ao alcançar um público maior com “Ferro” (2019), tornando-se destaque em alguns dos principais festivais de música do país.
Seu pop tropical emplacou composições como “Pra Te Conquistar” (Top 50 Viral Spotify BR), “Corpo em Brasa” (em feat. com Duda Beat) e “Tolerância Zero” (junto com Mel e Hiran). Em 2023, Ferro levou seu projeto “FREVÁLIA”para um trio elétrico no Galo da Madrugada, maior bloco de carnaval do mundo, com a presença de Pabllo Vittar e Juliette.
Romero Ferro chegou a 2024 com o lançamento do álbum “FREVÁLIA”, projeto que concretiza um desejo cuja semente havia sido plantada oito anos antes. O “FREVÁLIA” começou como um movimento cultural e, por isso, Romero afirma que vai além da música: “Minha intenção é atingir cada vez mais novos públicos e contribuir com a valorização da nossa cultura”.
Em 2026, Romero prepara seu mais novo trabalho, o disco multissensorial “OURO”, terceiro álbum de sua carreira.
