A escritora, editora e pesquisadora pernambucana Raíza Hanna Milfont lança, no dia 11 de setembro, às 19h, no Furdunço Café e Cultura, em Recife, seu primeiro romance, A filha das américas, publicado pela Editora Patuá. A obra acompanha a trajetória de uma jovem mulher negra que deixa Olinda, em Pernambuco, para viver em Buenos Aires, na Argentina. Entre deslocamentos, descobertas, dificuldades e reencontros, ela passa a questionar as próprias ideias de identidade, pertencimento e casa.
Estruturado a partir das estações do ano (inverno, primavera, verão e outono), além de uma “outra estação”, o romance constrói uma narrativa marcada pelo movimento e despertou atenção antes mesmo da publicação. Semifinalista do Prêmio Kindle Vozes Negras, promovido pela Amazon, esteve entre os dez destaques de mais de mil obras inscritas no concurso. Na trama, a protagonista parte do Nordeste brasileiro acompanhando o namorado e chega ao país vizinho com a expectativa de começar uma nova vida.

Longe de casa, porém, depara-se com o avesso dessa promessa e passa a lidar com as dificuldades concretas de quem imigra: a busca por trabalho, a adaptação a outra língua e cultura, a burocracia da imigração e a instabilidade financeira. A essas dificuldades se somam o racismo e a xenofobia, que atravessam o cotidiano de uma mulher negra brasileira em solo argentino.
Ao mesmo tempo em que acompanha a vida da protagonista em Buenos Aires, o livro olha para trás. Flashes de lembranças levam os leitores ao bairro periférico onde nasceu e à trajetória de sua família, revelando que esse percurso não começa ali: seus ancestrais também viveram experiências de migração, especialmente entre o sertão pernambucano e as grandes cidades. Assim, a mudança para outro país se inscreve em um percurso mais amplo de pessoas que se movimentam em busca de novas possibilidades, levando consigo memórias, afetos e referências dos lugares de onde vieram.
O romance também aborda questões relacionadas à condição da mulher, ao trabalho e às desigualdades enfrentadas por imigrantes. Em Buenos Aires, a protagonista passa por situações de precariedade e discriminação enquanto busca conquistar autonomia e construir uma vida independente. No ambiente profissional, confronta relações de poder, preconceitos e os limites impostos a quem chega de fora.
A linguagem do livro se aproxima da poesia visual e incorpora espaços, repetições, diferentes disposições das palavras, referências culturais e música. Esses recursos dão à página um papel ativo e acompanham o modo fragmentado como as lembranças retornam ao longo da narrativa. Essa escolha está ligada à relação de Raíza com a poesia. Antes de transformar o material em romance, ela já havia escrito poemas sobre imigração e, durante a criação, percebeu que aquelas questões poderiam ganhar uma dimensão maior.
“Eu deixo que o vazio também conte a história. A página também conta a história, o vazio da página, como a gente desenha as palavras. O poema ajudou muito nesse sentido: começar com poema e virar uma narrativa, uma longa narrativa, mas que tenha ali ainda um pouco de poesia e do próprio poema, tratando da materialidade mesmo do texto”, explica a autora.
A escritora Jarid Arraes, que realizou a leitura crítica do original, destaca justamente o trabalho de Raíza com a linguagem e os elementos visuais da página. “Eu gostei muito de ser surpreendida pela sua habilidade inegável de usar a forma e a estética para desenhar movimentos e imagens com as palavras, os espaços, as pontuações.” Para Jarid, essa capacidade está entre os pontos altos da obra.
Das vivências de Olinda ao cotidiano de Buenos Aires, A filha das américas atravessa fronteiras sem perder de vista as raízes pernambucanas. É também a Pernambuco que a autora se prepara para apresentar, em Recife, sua estreia no romance.
Sobre Raíza Hanna Milfont
A estreia no romance acontece depois da publicação de Sol a Pino (Castanha Mecânica, 2022), livro de poemas de Raíza. Doutoranda em Ciência da Literatura pela UFRJ e mestra em Literatura, Teoria e Crítica pela UFPB, a autora também atua como editora e pesquisadora. É fundadora da Editora Alvoroça e idealizadora do Prêmio Clarice Lispector.
Serviço
Lançamento de “A Filha das Américas”
Autora: Raíza Hanna Milfont
Editora: Patuá
Data: 11 de setembro de 2026
Horário: 19h
Local: Furdunço Café e Cultura (Rua Gildo Neto, 92, Tamarineira, Recife)
Vendas:https://www.editorapatua.com.br/a-filha-das-americas-romance-de-raiza-hanna-milfont/p
