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NR-1 amplia atenção ao bem-estar dos trabalhadores e reforça debate sobre escala 6×1

  • Bem-Estar

Os afastamentos do trabalho relacionados a transtornos psíquicos cresceram 80% entre 2023 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O aumento ocorre em meio a um debate cada vez mais presente sobre as condições de trabalho no Brasil, que inclui a redução da jornada e o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso. Nesse cenário, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a atenção das empresas para fatores que podem afetar diretamente a saúde mental e o bem-estar dos profissionais.

A nova abordagem da NR-1 reforça a necessidade de que os chamados riscos psicossociais sejam identificados e considerados na gestão de segurança e saúde ocupacional. Entre eles estão situações como estresse excessivo, sobrecarga de trabalho, pressão constante por resultados, assédio e condições que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos relacionados ao trabalho, como a síndrome de burnout.

Para a advogada Isabela Lessa, sócia fundadora do Bahia, Lins e Lessa Sociedade de Advogadas, a mudança representa uma ampliação do olhar das empresas sobre a saúde do trabalhador. “A saúde ocupacional não pode ser compreendida apenas a partir dos riscos físicos presentes no ambiente de trabalho. A forma como o trabalho é organizado, a cobrança, a jornada, a falta de descanso adequado e as relações profissionais também podem impactar a saúde do empregado e precisam ser consideradas pela empresa”, explica.

Nesse contexto, a discussão sobre a escala 6×1 ganha uma dimensão que ultrapassa a questão trabalhista ou econômica. A quantidade de dias trabalhados consecutivamente e o tempo disponível para descanso podem influenciar aspectos como recuperação física, convivência familiar, lazer e saúde mental. Embora a NR-1 não determine o fim ou a alteração da escala 6×1, a discussão sobre jornada se conecta ao debate mais amplo sobre prevenção de riscos psicossociais no ambiente profissional.

“A discussão sobre a escala 6×1 precisa considerar também o impacto que a organização da jornada pode produzir na vida do trabalhador. Descanso insuficiente, dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal e exposição contínua a situações de pressão podem se tornar fatores de desgaste. Isso não significa que toda jornada 6×1 seja, isoladamente, um risco psicossocial, mas que a organização do trabalho precisa ser analisada de forma concreta”, afirma Isabela.

Na prática, a atualização da NR-1 exige das empresas uma postura mais preventiva. Isso significa observar não apenas acidentes e doenças ocupacionais já conhecidos, mas também os fatores presentes na própria organização do trabalho que possam contribuir para o adoecimento dos profissionais. A identificação dos riscos deve considerar a realidade de cada ambiente e pode envolver aspectos relacionados à carga de trabalho, ritmo, autonomia, comunicação, relações interpessoais e formas de gestão.

Para os trabalhadores, a mudança também reforça a importância de comunicar situações que possam comprometer a saúde e a segurança no ambiente profissional. Casos de assédio, cobranças abusivas, sobrecarga persistente e outras condições prejudiciais não devem ser tratados como parte natural da rotina de trabalho.

“É importante compreender que promover bem-estar não significa apenas oferecer benefícios ou ações pontuais de qualidade de vida. A prevenção precisa estar incorporada à própria organização do trabalho. A empresa deve olhar para as causas dos problemas e criar mecanismos para identificar, prevenir e corrigir situações que possam gerar adoecimento”, destaca a advogada.

A atualização da NR-1, portanto, coloca a saúde mental dentro de uma discussão mais ampla sobre as condições em que o trabalho é realizado. Em paralelo ao debate no Congresso sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1, cresce a necessidade de discutir modelos de trabalho que conciliam produtividade, segurança, descanso e qualidade de vida, sem deixar de considerar as particularidades de cada atividade econômica.

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