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Capitão Lima, curta-metragem caruaruense, tem estreia internacional em Hollywood e Nova York

  • Cultura

Para que momento você voltaria se pudesse reviver a sua melhor memória de liberdade? É essa pergunta que o roteirista e diretor pernambucano Filipe Carvalho tenta responder em Capitão Lima, seu segundo curta-metragem. Entre 24 e 27 de setembro, a produção integra a 29ª edição do Arpa International Film Festival, realizada em Los Angeles no emblemático TCL Chinese Theater, em Hollywood. Em outubro, ele segue para o Buffalo International Film Festival, em Nova York.

“Capitão Lima” fez sua grande estreia no Agreste pernambucano ao integrar a programação do IX Cine Jardim, festival latino-americano realizado em Belo Jardim no mês de agosto. A obra acompanha um misterioso homem que vive em um futuro em que não se podia mais ser livre. Ele, um homem gay, teve que voltar ao armário para conseguir sobreviver. No entanto, o homem recebe uma única chance de viajar no tempo, em busca de reviver sua liberdade. Ele viaja para a Rua Capitão Lima, no centro do Recife, onde beijou um outro rapaz pela primeira vez. Tentando voltar ao passado, ele acaba preso no presente, onde tem que lidar com as suas memórias.

Foto: Luara Olivia

O curta tem uma forte influência autobiográfica de seu realizador. Filipe Carvalho é um homem gay de Caruaru que cresceu dentro de uma família evangélica, em um contexto autoritário. O filme nasce do que descreve ser suas “melhores lembranças e maiores medos”. No endereço onde se passa a obra, foi onde, ainda na adolescência, Filipe viveu suas primeiras memórias de libertação.

“Minha primeira memória de liberdade é na Rua Capitão Lima, aos 16 anos, onde eu pude ser quem eu era pela primeira vez. Eu tinha mudado para o Recife com o sonho de trabalhar com televisão. Acredito que a maioria dos homens gays que nasceram em um contexto semelhante tem medo de voltar ao armário. Como ser livre quando o que aprendemos no decorrer de nossa vida é nos esconder?”, afirma o diretor Filipe Carvalho.

“Capitão Lima” acaba por se tornar uma espécie de ficção-científica poética, embalada por momentos musicais de frevos melancólicos e bregas românticos, também se equilibrando por momentos de angústia e ternura. O filme é todo gravado no centro do Recife e tem como cenário a arquitetura da Rua Capitão Lima, famosa pelos seus espaços de arte, cafés e emissoras de TV, que fizeram parte do imaginário do diretor quando se mudou para Recife querendo trabalhar na televisão.

Foto: Luara Olivia

O filme é protagonizado por Tay Lopez, que encara o projeto como uma jornada de reafirmação de identidade e liberdade a partir do resgate das memórias que nos moldam. “É um ato poético de redescoberta. Precisamos olhar para trás para mudar a rota e resgatar aquilo que nos faz bater o coração mais forte, para viver sem julgamentos, sem medos, sem amarras”, diz o ator. O filme também conta com participações especiais de nomes como a cantora e atriz Isadora Melo e Sharlene Esse, considerada a primeira dama trans do teatro pernambucano.

Exibição no Recife

Antes da circulação internacional, o público local poderá conferir o filme dentro da programação da III edição do Festival Fabulosa, no próximo dia 18 de setembro, no Cinema da Fundação, às 18h30. As andanças do filme pelo mundo são encaradas como uma forma da Margente Filmes, produtora fundada em Caruaru em março de 2023, fincar sua voz e fazer reverberar as visões estéticas do interior pernambucano.

“Capitão Lima’ é o primeiro filme da Margente e nosso principal objetivo é expandir essa visão do interior para outras cidades, outros países. Mas é um trabalho árduo porque a gente não está próximo das principais vias de distribuição, elabora Filipe Carvalho, que também é fundador da produtora. A produtora executiva Pollyana Melo reforça os desafios superados para a realização do projeto. “Sua realização só foi possível por conta de uma linha do Funcultura voltada a novos realizadores, somada ao apoio de parceiros da iniciativa privada. O comprometimento da equipe foi fundamental, com uma dedicação que tornou possível pensar soluções diante das limitações de um projeto de baixo orçamento”, destaca Pollyana.

Capitão Lima conta com incentivo do Funcultura Pernambuco, realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e Fundarpe.

Sobre o diretor

Filipe Carvalho é diretor e roteirista do interior de Pernambuco, formado em Rádio e TV pela UFPE e especialista em Roteiro pela FAAP. Estreou seu primeiro curta-metragem, “A Lembrança que Eu Gosto de Ter”, no festival É Tudo Verdade. Escreveu e dirigiu projetos para Globoplay, TV Pernambuco e Canal Futura, além de criar dois podcasts disponíveis no Spotify. Sua série de ficção “Odete Brasil” foi semifinalista do FRAPA 2023. “Capitão Lima” é seu segundo curta-metragem e sua primeira obra de ficção.

Sobre a Margente Filmes

A Margente Filmes é uma produtora independente brasileira sediada em Caruaru, no agreste pernambucano, Nordeste brasileiro. Criada pelo diretor e roteirista Filipe Carvalho em 2023, a Margente nasce para trazer ao centro as histórias que costumam permanecer à margem, desenvolvendo filmes com linguagem humana, olhar artístico e experimentação estética, sem abrir mão do diálogo com o público brasileiro.

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