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Ansiedade na reta final do Enem exige atenção à saúde mental dos estudantes

  • Bem-Estar

A reta final de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma ser marcada por expectativa, insegurança e pressão. A preocupação com uma vaga na universidade, o medo de decepcionar a família e a sensação de que o resultado pode definir o futuro tornam esse período especialmente desafiador para muitos estudantes. Além da revisão dos conteúdos, cuidar da saúde mental é fundamental para enfrentar a prova.

Segundo o médico psiquiatra Dr. Milton Teles de Mendonça Junior, o próprio formato do exame reúne fatores que podem desencadear ou intensificar a ansiedade, como uma data fixa, a importância atribuída ao resultado e a sensação de pouco controle sobre o futuro. “Para muitos jovens, é a primeira vez que um único dia parece decidir o futuro”, explica.

O especialista alerta que algum nível de ansiedade é natural e pode até ajudar na concentração. O problema surge quando os sintomas passam a prejudicar a rotina. Coração acelerado, falta de ar, tremores, insônia, irritabilidade, choro frequente, isolamento e dificuldade de concentração estão entre os sinais que merecem atenção. Quando persistem por semanas ou comprometem o sono, a alimentação e os estudos, é importante procurar ajuda profissional.

A pressão familiar também pode agravar o sofrimento emocional. Comparações com irmãos e colegas e cobranças excessivas aumentam o medo de decepcionar. Para o psiquiatra, pais e professores devem valorizar o esforço dos estudantes, ouvir suas dificuldades e evitar transformar a aprovação em uma medida de capacidade ou valor pessoal.

A ansiedade excessiva também pode prejudicar a memória e o raciocínio, provocando o conhecido “branco” durante a prova. Por isso, manter hábitos saudáveis faz parte da preparação. O médico recomenda dormir de oito a dez horas por noite, manter refeições regulares, praticar atividade física e organizar os estudos com intervalos. Caminhadas e exercícios de respiração lenta também ajudam a reduzir a tensão.

Outro cuidado importante é evitar o consumo excessivo de café e energéticos, que podem provocar taquicardia, tremores e insônia. O uso de estimulantes, calmantes ou medicamentos para dormir sem prescrição médica também deve ser evitado. Na semana da prova, a orientação é não experimentar substâncias novas nem tentar recuperar todo o conteúdo de última hora.

O acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado quando a ansiedade é intensa e persistente, mas nem todo caso exige medicação. Psicoterapia, orientação e mudanças na rotina podem ser suficientes, conforme a avaliação profissional. O importante é não esperar que o sofrimento chegue ao limite para buscar ajuda.

Para os candidatos que enfrentam medo e insegurança, Dr. Milton Teles reforça que o Enem é uma oportunidade, mas não determina o valor de ninguém. “Uma prova mede o desempenho em um dia, não o valor de uma pessoa, a sua inteligência ou o seu potencial”, afirma.

A mensagem final do psiquiatra é de acolhimento: “Sentir medo antes de uma prova importante é humano e não significa que você não está preparado. Na véspera, descanse, confie no que estudou e, no dia, faça uma questão de cada vez. O Enem é uma etapa da sua vida, não a sua vida inteira”.

Mais informações via Instagram: @dr.mitonmendonca.

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