Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, uma fábrica de telhas e tijolos tornou-se exemplo de como inovação e sustentabilidade podem caminhar lado a lado. A Kitambar Artefatos de Cerâmica é uma das empresas do setor que trocaram a lenha nativa usada nos fornos por biomassa renovável, em um projeto que hoje gera créditos de carbono adquiridos pelo Sicredi como parte de sua estratégia de compensação de emissões.
A iniciativa, chamada Kitambar Switching Fuel Project, é fruto de uma parceria com o grupo Sustainable Carbon, consultoria que atua no desenvolvimento e monitoramento de projetos de redução de gases de efeito estufa. Segundo Carmen Cedraz, representante da empresa, o projeto foi implementado em 2007 e tem duração prevista de 30 anos.


“Antes da mudança, a cerâmica utilizava lenha nos fornos. Com o projeto, passamos a utilizar biomassa renovável, como algaroba e resíduos de madeira de indústrias moveleiras locais. Assim, reduzimos emissões e evitamos o descarte inadequado desses materiais”, explicou.
Com equipamentos que permitem o uso de insumos renováveis, como poda de caju e casca de coco, a fábrica reduz emissões de gases de efeito estufa e gera créditos de carbono. A comunidade local é beneficiada com investimentos em educação e tecnologia, além de ajudar a proteger o bioma Caatinga.
O modelo de parceria permite que pequenas e médias empresas ingressem no mercado voluntário de carbono sem necessidade de grandes investimentos iniciais. A Sustainable Carbon cobre os custos de estruturação e acompanhamento técnico, enquanto a cerâmica realiza apenas as adaptações necessárias nos fornos. O resultado é duplo: menor impacto ambiental e geração de créditos certificados, com uma média anual de 50 mil unidades.
“Parte da renda obtida com a venda dos créditos é revertida em ações socioambientais na região, com projetos voltados à educação e apoio a comunidades em vulnerabilidade”, acrescenta Carmen.
Recentemente, representantes do Sicredi visitaram a sede da Kitambar para conhecer de perto o impacto do projeto. A instituição financeira cooperativa é uma das compradoras dos créditos de carbono gerados pela cerâmica, dentro de sua política de sustentabilidade.
“O Sicredi acredita que sustentabilidade também é relacionamento: aproximar, dialogar e caminhar juntos com empresas que investem no futuro”, afirmou Antonio Cleber Zequetto, gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi Nordeste. “Essa parceria com a Kitambar demonstra a força do cooperativismo no apoio a iniciativas que transformam a realidade local e geram impacto positivo para toda a sociedade”, acrescenta.
O projeto pernambucano também se destaca pelo efeito multiplicador. De acordo com Carmen Cedraz, outras cerâmicas da região e de vários estados brasileiros, têm adotado práticas semelhantes. “Essas iniciativas acabam virando benchmarking para o setor. A partir de um projeto como o da Kitambar, outras empresas passam a enxergar a viabilidade econômica e ambiental da mudança”, afirma.
Para o Sicredi, apoiar esse tipo de transição é parte de um compromisso maior com o futuro. A cooperativa tem ampliado o investimento em projetos que ajudam a compensar suas próprias emissões, estimulando uma cadeia produtiva mais sustentável.
Ao integrar o mercado de carbono, o sistema cooperativo reforça seu papel na agenda de sustentabilidade e contribui para que iniciativas locais, como a da Kitambar, ganhem escala e reconhecimento nacional – um movimento que se conecta com os temas que estarão em destaque durante a COP 30, quando o Brasil sediará as discussões globais sobre clima e transição energética.
