Pular para o conteúdo

Fique Sabendo PE

Nova montagem de “Auto da Compadecida” estreia no Janeiro de Grandes Espetáculos e abre as celebrações do centenário de Ariano Suassuna

  • Cultura

Clássico da dramaturgia brasileira, a peça “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, ganha nova montagem pernambucana, com estreia nesta sexta-feira (9), às 20h, no Teatro de Santa Isabel, dentro da programação do 32º Janeiro de Grandes Espetáculos. A encenação, que recebe o título “Auto da Compadecida — Uma Farsa Modernesca”, abre, simbolicamente, as celebrações ao centenário de nascimento de Suassuna, a ser comemorado em 2027. No sábado (10) haverá uma segunda sessão no Santa Isabel, também às 20h. Os ingressos para ambas as noites custam R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) e estão à venda na Sympla.

“Auto da Compadecida — Uma Farsa Modernesca” propõe uma atualização da obra de Ariano Suassuna sem descaracterizar o seu espírito original. A direção, assinada por Célio Pontes e Eron Villar, investe na agilidade da cena, no humor afiado, no jogo cênico e na comunicação direta com o público por meio de um texto adaptado para dialogar com questões do nosso presente — como desigualdades sociais que ainda persistem, fé e sobrevivência, a astúcia enquanto estratégia de resistência e as tensões entre poder e justiça. O resultado é um espetáculo popular e atualmente político.

Foto: Hans von Manteuffel

“Nossa criação nasce de uma inquietação artística coletiva. Da reunião de artistas que compartilham a vontade de fazer um teatro que não apenas diverte, mas que faz pensar e emociona”, afirma Pontes, que realiza esta montagem junto com a Cooperativa Pernambucana de Teatro. “Optamos por uma sensível colcha de retalhos que ressignifica a tradição e nos atravessa no que há de mais humano em todos nós”, completa o diretor, que, neste projeto, também atua e assina a direção de arte, o figurino e a identidade visual.

Célio Pontes tem uma história longeva com “Auto da Compadecida”: ele esteve no elenco da montagem anterior da peça em Pernambuco, que é até hoje lembrada pelo êxito de ter permanecido em cartaz por 20 anos, entre março de 1992 e março de 2012, realizada pela Dramart Produções, da atriz e produtora Socorro Rapôso (1931-2021), artista que, aliás, viveu a primeira Compadecida no Santa Isabel, em 1956, ano seguinte à publicação da peça. Do elenco da montagem de vinte anos também voltam à cena os atores Sóstenes Vidal e Williams Sant’anna, intérpretes de João Grilo e Chicó, além de Cleusson Vieira.

A peça traz mais nomes veteranos do teatro pernambucano – as atrizes Clenira Melo, que integrou o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), e Simone Figueiredo, com mais de 40 anos de cena, e também os atores Alexandre Sampaio, Carlos Lira e Mário Miranda. Ainda promove o encontro destes com novos artistas da cena local: os jovens atores Douglas Duan, Gil Paz, Paula Tássia e Thiago Gondim, estimulando um diálogo entre memória, continuidade e renovação do fazer teatral nas coxias e nos palcos de Pernambuco.

Um clássico reelaborado

Ao fazer o texto tocar na atualidade, “Auto da Compadecida — Uma Farsa Modernesca” reelaborou seus personagens centrais, João Grilo (Vidal) e Chicó (Sant’anna). Longe de estereótipos simplificadores, os dois surgem como símbolos da resistência popular, da inteligência que nasce da escassez e da capacidade de reinvenção diante das adversidades. “A nova montagem reafirma o caráter universal dos personagens arquetípicos propostos por Ariano Suassuna, o que os torna cada vez mais atuais”, comenta Pontes. João Grilo e Chicó formam uma dupla que revela um Nordeste plural, criativo e capaz de rir de si próprio.

Assumidamente uma farsa ‘modernesca’, como entrega o título, o espetáculo aposta no riso, no exagero e no humor como ferramentas de crítica social. O figurino e o visagismo, criados especialmente para a montagem, dialogam com a estética da cultura popular nordestina a partir de uma leitura contemporânea. A nova encenação endossa “Auto da Compadecida” como uma obra viva — embora lançada há 70 anos, atravessa gerações, provoca reflexão e dialoga com o Brasil de hoje. Trata-se de uma homenagem a Ariano Suassuna que não se limita à memória, mas se afirma como gesto de permanência, reinvenção e imaginação.

MAIS SESSÕES – Após as apresentações deste fim de semana no Santa Isabel, “Auto da Compadecida — Uma Farsa Modernesca” vai subir ao palco do Cineteatro Samuel Campelo, em Jaboatão dos Guararapes, dias 28 e 29, ambas sessões às 19h, com ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Na sequência, retorna ao Recife, para duas sessões no Teatro do Parque, dias 30 e 31, sempre às 20h, com ingressos custando R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). A temporada da peça no Janeiro de Grandes Espetáculos se encerra no Sesc Ler Goiana, dia 3 de fevereiro, às 20h, com ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

O 32º Janeiro de Grandes Espetáculos acontece até o dia 4 de fevereiro e tem como tema “Da Lama ao Palco”, em homenagem aos 60 anos de Chico Science. Com mais de cem atrações, a programação completa pode ser acessada pelo site www.festivaljge.com.br.

32º JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS – Celebrado como um sol aberto para a produção cênica pernambucana, o Janeiro de Grandes Espetáculos constrói sua longevidade jogando luz sobre grupos e montagens, vozes e movimentos, de linguagens diversas. Neste ano, além do teatro adulto e infantil, da música, da dança e do circo, setores pelos quais já é consolidado, o JGE estabelece o cinema como linguagem fixa na curadoria.

Mais de dez lugares no Recife servirão de palco para a programação que ultrapassa uma centena de atrações. São eles: os teatros de Santa Isabel, Parque, Apolo, Hermilo Borba Filho, Barreto Júnior, Capiba, Arraial Ariano Suassuna e André Filho (Espaço Fiandeiros), além da Caixa Cultural, a Casa de Alzira, a praça do Campo Santo e o Cinema São Luiz. Outras cidades, ainda, receberão programações do JGE: Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Goiana e Limoeiro.

Embora seja a grande vitrine para as produções pernambucanas, que neste ano representam 95% da programação, o Janeiro de Grandes Espetáculos receberá atrações de Brasília, do Rio de Janeiro, Maceió e São Paulo. De fora do país, o JGE terá obras da Argentina, Portugal e Eslováquia. Os ingressos, que custam entre R$ 10 e R$ 140, estão à venda na plataforma Sympla.

O Janeiro de Grandes Espetáculos é uma realização da Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco) em parceria com o Sesc e com patrocínio de Suape, da Fundarpe (Governo do Estado de Pernambuco), Fundação de Cultura Cidade do Recife e Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife.

SERVIÇO
32º Janeiro de Grandes Espetáculos
Estreia da peça “Auto da Compadecida — Uma Farsa Modernesca”
Sexta (9) e sábado (10), às 20h, no Teatro de Santa Isabel
Programação e informações no site www.festivaljge.com.br
Ingressos: www.sympla.com.br/festivaljge

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *