O medo do câncer e da impotência sexual continuam entre as principais preocupações da população masculina. A descoberta, feita através de uma pesquisa divulgada pelo Portal da Urologia, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), revela um problema constante nos consultórios de urologistas: o atraso no diagnóstico. A resistência em ir ao médico faz com que muitos tumores de próstata sejam descobertos em fases avançadas, reduzindo drasticamente as chances de cura, e o medo de receber um diagnóstico que afete diretamente a vida sexual ou a longevidade leva à negação da doença.
Essa realidade, infelizmente, ainda é bastante observada nos consultórios, segundo o urologista e cirurgião Eugênio Lustosa. “São dados que refletem exatamente o que observamos no dia a dia. Muitos homens ainda procuram o urologista apenas quando os sintomas aparecem, perdendo a oportunidade de diagnosticar doenças de forma precoce e aumentar as chances de um tratamento mais simples e eficaz”, afirma.
De acordo com a pesquisa, entre as doenças urológicas que mais preocupam os homens, o câncer aparece em primeiro lugar, citado por 58% dos entrevistados, seguido pela impotência sexual, mencionada por 37%. O levantamento ainda identificou que 35% dos entrevistados acreditam não ter nenhum problema de saúde, embora muitos relatem fatores de risco importantes, como sedentarismo, hipertensão arterial, obesidade e tabagismo, condições que aumentam o risco para diversas doenças, inclusive as urológicas.
Desinformação
O levantamento da SBU também revela que muitos homens ainda desconhecem informações básicas sobre a saúde urológica. Cerca de 10% disseram não saber o que é a próstata, 38% acreditam ser normal apresentar dificuldade para urinar com o avanço da idade e 34% associam qualquer problema na próstata ao câncer. Para Eugênio Lustosa, esses equívocos podem retardar a procura por atendimento especializado: “a dificuldade para urinar nunca deve ser considerada uma consequência natural do envelhecimento. Esse sintoma pode estar relacionado à hiperplasia prostática benigna, infecções, alterações da bexiga e, também, ao câncer de próstata. Somente a avaliação médica pode identificar a causa”, explica.
Entre os dados da pesquisa, também chama atenção o fato de que apenas um em cada três homens se considera muito preocupado com a própria saúde. Quase 20% deles afirmam que é a companheira ou o companheiro quem costuma agendar suas consultas médicas. “O cuidado com a saúde precisa ser encarado como parte da rotina. O check-up periódico permite identificar doenças ainda sem sintomas, aumentando significativamente as chances de sucesso no tratamento. O medo não pode ser maior do que o cuidado com a própria saúde”, destaca Eugênio Lustosa.
A pesquisa “O olhar masculino sobre a saúde do homem” ouviu 1.500 homens acima de 40 anos, de todas as regiões do país, entre os anos de 2023 e 2024. O levantamento abordou saúde geral dos homens, conhecimentos relativos à próstata e sexualidade masculina. Os dados continuam repercutindo por representarem vergonha e tabu ainda hoje, colocando a saúde masculina em risco.
