A avaliação cardiológica não depende apenas da presença de sintomas ou de uma idade específica. A Unidade Pública de Atenção Especializada Cícero Dias, localizada em Escada, Zona da Mata Sul, alerta que fatores como histórico familiar, hipertensão, diabetes, colesterol elevado e outras condições podem indicar a necessidade de acompanhamento ainda na juventude.
Segundo o cardiologista da unidade, Norberto Scopel, não existe uma idade única definida para todos os pacientes. A orientação é iniciar a avaliação a partir dos 20 anos, no entanto, o perfil de risco deve ser considerado individualmente. “Não existe uma idade protocolar para acompanhamento cardiológico, mas as diretrizes indicam começar aos 20 anos e sempre devemos levar em consideração o perfil de risco do paciente. Tem pediatra que começa a medir a pressão de crianças assintomáticas aos 10 anos de idade”, explica.

A necessidade de avaliação pode ser antecipada quando estão presentes fatores que aumentam o risco cardiovascular. Entre eles estão hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e histórico familiar. O médico também cita situações específicas, como a prática de atividade física intensa ou esportes competitivos, histórico de uso de drogas ou anabolizantes, pacientes que serão submetidos à quimioterapia e pessoas com diabetes, lúpus ou doenças renais. “Esses fatores antecipam a necessidade da avaliação cardiológica e o rigor com o acompanhamento”, afirma.
O histórico familiar também deve ser analisado considerando o grau de parentesco e a idade em que os eventos cardiovasculares ocorreram. Segundo Norberto, casos em parentes de primeiro grau, especialmente quando acontecem mais cedo, tornam o alerta mais evidente. “Sim, mas deve-se levar em consideração qual o grau de parentesco e em que idade esses parentes tiveram eventos cardiovasculares. Se a doença cardiovascular ocorre em parentes de primeiro grau e em idade mais precoce o alerta fica mais evidente”, explica.
O acompanhamento também pode identificar alterações antes que elas se manifestem de forma mais evidente. Entre os achados estão hipertensão arterial, diabetes, alterações do colesterol, doença ateromatosa ainda sem manifestações clínicas, arritmias e alterações estruturais do coração. Sintomas como falta de ar e dor no peito durante esforços, sensação de desmaio e palpitações também merecem avaliação.
Para o cardiologista, a ausência de sintomas não deve ser o único critério para decidir quando buscar acompanhamento. “Infelizmente podemos dizer de maneira chocante que existem muitos casos em que a primeira manifestação de doença cardíaca é morte súbita por arritmia, enfatizando muito a necessidade de se ter acompanhamento baseado em fatores de risco, e não apenas em sintomas”, alerta Norberto.
