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“Chega de Feminicídio”: música coletiva reúne artistas recifenses em rap de protesto pela vida das mulheres

  • Cultura

Recife recebe o lançamento de “Chega de Feminicídio”, música coletiva organizada pelo músico, compositor e rapper Zé Brown, com participação de diversos artistas da cena recifense e pernambucana. A faixa nasce como um rap de protesto, denúncia e mobilização social diante da escalada da violência contra as mulheres no Brasil e em Pernambuco.

Com letra de Zé Brown e música de Tufão, da PDR Produções, a canção reúne as vozes de Zé Brown, Bione, Ranne Skull, Isaar, Nena Queiroga, Edilza Aires, Canibal e MC Leozinho. Em versos diretos e contundentes, a música afirma que o feminicídio precisa acabar definitivamente e convoca a sociedade a enfrentar não apenas os assassinatos de mulheres, mas também as violências psicológicas, verbais, físicas, sexuais e simbólicas que fazem parte desse ciclo.

A iniciativa surge em um cenário alarmante. O Brasil registrou, em 2025, 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero, o maior número desde que o feminicídio passou a ser tipificado no país, com crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde 2015, ao menos 13.703 mulheres foram mortas no país pela condição de serem mulheres.

Em Pernambuco, os dados também reforçam a urgência do debate. Segundo informações da Secretaria de Defesa Social citadas pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, o estado registrou 88 feminicídios em 2025, o maior patamar recente. Já no primeiro quadrimestre de 2026, a SDS contabilizou 24 ocorrências, contra 38 no mesmo período do ano anterior, uma queda de 36,8%, mas ainda um número que representa vidas interrompidas e famílias devastadas.

Para Zé Brown, idealizador da iniciativa, a música nasce da indignação diante da violência crescente contra as mulheres.

“Esse rap surgiu da minha indignação. Eu não aceito viver numa sociedade em que mulheres passam por atrocidades e são assassinadas de forma assustadora por homens sem consciência. A gente não pode aceitar uma violência que aumenta a cada dia. Por isso, convidei Bione, Ranne Skull, Isaar, Nena Queiroga, Edilza Aires, Canibal, MC Leozinho e eu também entrei nessa composição, para formar esse time de enfrentamento contra a violência. ‘Chega de Feminicídio’ traz, em sua linha poética, um protesto que todos e todas precisam ouvir, assimilar e transformar em atitude. É preciso combater e bater de frente contra todo tipo de violência contra as mulheres, principalmente o feminicídio. Isso tem que parar. Isso tem que acabar definitivamente. Mulher não é indigente”, afirma Zé Brown.

A força da canção está também no encontro de trajetórias. Zé Brown é uma referência do rap pernambucano e integrante do histórico Faces do Subúrbio, grupo formado no Recife e reconhecido pela mistura de hip hop, embolada, repente e denúncia social. O grupo foi indicado ao Grammy Latino em 2001 na categoria de melhor álbum de rap.

Na música, cada participação amplia o coro de enfrentamento à violência. Zé Brown denuncia o aumento assustador dos casos; Bione canta sobre a ausência de paz, respeito, carinho e amor; Ranne Skull aborda a violência psicológica, verbal, o machismo e a importunação sexual; MC Leozinho reforça o basta à humilhação, à agressão e à morte; Canibal afirma que “isso tem que parar”; e as vozes de Isaar, Nena Queiroga e Edilza Aires ecoam a afirmação de que mulher não é objeto, é vida, amor e dignidade.

Mais do que uma música, “Chega de Feminicídio” é um manifesto coletivo. A obra reafirma que a arte também é instrumento de denúncia, consciência e transformação social. Ao reunir rap, vozes populares e artistas da cultura pernambucana em uma mensagem direta pela vida das mulheres, a canção convoca a sociedade a não naturalizar a violência e a transformar indignação em atitude.

Serviço
Música: Chega de Feminicídio
Letra: Zé Brown
Música: Tufão — PDR Produções
Participações: Zé Brown, Bione, Ranne Skull, Isaar, Nena Queiroga, Edilza Aires, Canibal e MC Leozinho
Contato para Imprensa: Matheus Lins – (81) 9 9755-6258

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