Um perigo pequeno, silencioso e capaz de se esconder em sapatos, roupas, caixas, ralos e pilhas de materiais já provocou mais de 9 mil acidentes em Pernambuco somente no primeiro semestre de 2026. Dados da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco indicam que 9.125 pessoas foram picadas por escorpiões entre janeiro e junho — uma média de quase 51 ocorrências por dia.
Apesar de o número representar uma leve redução em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 9.219 casos, o cenário dos últimos anos continua preocupante. Pernambuco registrou 19.608 acidentes com escorpiões em 2025, contra 15.884 em 2024 e 15.703 em 2023, revelando uma tendência de crescimento das ocorrências.
Os acidentes costumam estar diretamente relacionados às condições encontradas dentro e ao redor das residências. Entulho, lixo acumulado, telhas, madeira, caixas de papelão, frestas, ralos abertos e a presença de baratas criam um ambiente favorável para o abrigo e a alimentação dos escorpiões.
Segundo Dalvani Oliveira, CEO da Keyppy Dedetizações, o combate ao problema não deve começar apenas quando o animal aparece.
“Quando um escorpião é encontrado dentro de casa, é possível que existam outros abrigados em locais de difícil acesso. Por isso, não basta eliminar apenas o animal que foi visto. É necessário identificar as condições que estão atraindo as pragas, principalmente a presença de baratas, que servem de alimento para os escorpiões”, explica.
Em Pernambuco, a espécie mais comum é o escorpião-amarelo-do-Nordeste, conhecido cientificamente como Tityus stigmurus. Embora não seja considerado um dos mais venenosos do país, pode provocar quadros graves, sobretudo em crianças menores de 10 anos, idosos e gestantes.
A atenção deve ser ampliada em períodos de alternância entre chuva e calor. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, os registros costumam crescer nos meses de agosto e setembro, durante a transição entre a estação chuvosa e o período mais seco. Com as mudanças de temperatura e o excesso de água nos esconderijos naturais, os animais tendem a procurar abrigo em ambientes internos.
Prevenção exige controle do ambiente
Entre as principais medidas preventivas estão manter quintais e áreas externas livres de entulho, evitar o acúmulo de madeira e telhas, vedar frestas em paredes e rodapés, instalar telas em ralos, sacudir roupas e calçados antes do uso e impedir a proliferação de baratas.
Dalvani reforça que o controle profissional deve ser realizado de forma técnica e integrada.
“O controle de escorpiões exige inspeção detalhada do imóvel, identificação de abrigos, orientação aos moradores e combate às pragas que servem de alimento. Aplicações feitas sem conhecimento técnico podem dispersar os animais e aumentar o risco de acidentes”, alerta a especialista.
Em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, principalmente quando a vítima for criança, idoso ou gestante. Não se deve cortar, furar, espremer o local nem aplicar substâncias caseiras.
Cinco cuidados para reduzir o risco:
- Não acumular entulho, caixas, telhas ou madeira em quintais e depósitos.
- Manter ralos protegidos e frestas devidamente vedadas.
- Sacudir sapatos, roupas, toalhas e roupas de cama antes do uso.
- Controlar a presença de baratas e outros insetos.
- Buscar avaliação profissional ao encontrar escorpiões dentro do imóvel.
Foto: Magnific
