Sentir uma forte dor no peito, correr para a emergência acreditando estar sofrendo um infarto, realizar exames, eletrocardiograma, cateterismo e voltar para casa sem nenhuma resposta. Essa é a realidade de muitos pacientes que convivem com a chamada doença microvascular coronariana, uma condição cardíaca de difícil diagnóstico, muitas vezes invisível nos exames convencionais e que pode provocar episódios recorrentes de dor, falta de ar e intenso sofrimento emocional.
Agora, um procedimento inédito realizado no Nordeste promete mudar essa realidade. O Real Hospital Português (RHP), no Recife, realizou o primeiro caso da região utilizando a tecnologia CoroFlow associada ao teste com acetilcolina, método capaz de investigar o funcionamento da microcirculação coronariana e detectar alterações que não aparecem em exames tradicionais, como o cateterismo convencional.
O procedimento foi conduzido pelos cardiologistas Dr. Sergio Nascimento e Dra. Ana Claudia Conrado e representa um avanço importante para a cardiologia intervencionista no estado e na região Nordeste. A técnica permite avaliar o comportamento dos pequenos vasos do coração, os microvasos, responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco, mas que, quando apresentam disfunções, podem causar sintomas semelhantes aos de doenças coronarianas obstrutivas.
“Existem pacientes que chegam repetidas vezes às emergências com dores importantes no peito, muitas vezes incapacitantes, mas que acabam saindo sem um diagnóstico porque os exames tradicionais mostram artérias epicárdicas (mais calibrosas) aparentemente normais. O problema, nesses casos, pode estar justamente na microcirculação do coração, algo que os métodos convencionais não conseguem enxergar”, explica o cardiologista Dr. Sergio Nascimento.
Segundo o especialista, a investigação funcional da microcirculação permite identificar alterações como disfunção endotelial, vasoespasmo e resistência aumentada nos pequenos vasos coronarianos. Essas condições podem comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente.
“O mais importante é que, quando conseguimos identificar corretamente a origem da dor, conseguimos também direcionar o tratamento adequado. Isso reduz crises, evita idas repetidas às emergências e devolve tranquilidade ao paciente, que muitas vezes vive sob o medo constante de estar sofrendo um infarto”, destaca Dr. Sergio.
A tecnologia CoroFlow permite analisar parâmetros avançados da circulação coronariana, como reserva de fluxo coronariano e resistência microvascular, oferecendo uma avaliação muito mais detalhada do funcionamento cardíaco. Já o teste com acetilcolina auxilia na análise da função endotelial e na identificação de espasmos coronarianos.
Para o Real Hospital Português, o procedimento reforça o protagonismo da instituição na incorporação de tecnologias de ponta voltadas ao diagnóstico cardiovascular e à medicina de alta complexidade. O exame amplia as possibilidades de investigação para pacientes que, até então, conviviam com sintomas persistentes sem respostas claras sobre a origem do problema.
“Entender a microcirculação é enxergar além da angiografia. É cuidar de quem sente dor, mesmo quando aparentemente está tudo normal”, conclui o cardiologista.
