É tempo de audiovisual pajeuzeiro no Cine São Luiz: neste domingo (19), a partir das 16h, Recife recebe a mostra “Olhares Afogadenses”, que reúne cinco curtas-metragens realizados em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, todos financiados pela Lei Paulo Gustavo.
“Para nós que fazemos cinema no interior, essa é uma importante janela de exibição das nossas produções”, reflete o produtor e jornalista Leonardo Lemos, criador da mostra.
“Olhares Afogadenses” nasceu em abril de 2025. Criado para ocupar gratuitamente o Cine São José, emblemático cinema de rua em pleno funcionamento no Sertão do Pajeú, e levar a população de Afogados da Ingazeira a se ver na tela a partir dos filmes financiados pelo município através da Lei Paulo Gustavo. Na ocasião, o cinema foi aberto exclusivamente para exibição dos filmes Afogadenses.
Cerca de um ano depois, a mostra chega a novas cidades, estreando em Recife: “Ocupar o Cinema São Luiz era um sonho, e que bom que o templo do cinema pernambucano está aberto ao audiovisual do interior, isso é fundamental para nosso desenvolvimento enquanto realizadores”, destaca Leonardo.
Para a exibição deste domingo (19), foi criado o programa “Um audiovisual para a Salvação” (65’), com os filmes: “Aquilo que a Memória Amou” (18’), de Silmara Marques; “A Ponte” (10’), de Richard Soares, “Casinha de Mureta (17’)”, de Leonardo Lemos, “Cicatriz” (10’), de Luciio Vinicius e “Salam” (9’), de Bruna Tavares. Classificação indicativa Livre.
O “Um audiovisual para a Salvação” é uma metáfora com a logo da mostra: a silhueta do prédio do Cine São José, que parece uma escadaria rumo ao céu. “Queria que o público entendesse como é vitorioso cinemas históricos que não viraram igrejas; e ao mesmo tempo, o quanto o audiovisual pode ser esse lugar de cura e salvação da alma”, filosofa Leonardo.
Do São Luiz, a mostra segue para o Festival Pernambuco Meu País em Caruaru, no dia 29 de agosto, quando o evento ocupará a ETE Nelson Barbalho a partir das 15h. Depois, deve visitar Floresta, Serra Talhada, Triunfo e Petrolina até o fim do ano.
CINEMA PLURAL
“Lutar por espaços de exibição de nossos filmes é fundamental, porque tal qual Pernambuco é a Meca do cinema, Afogados também é uma referência, apesar do pouco fomento público. De lá saíram filmes como o curta “Lilith”, de Nayane Nayse,e o longa “O Bem Virá”, de Uilma Queiroz, obras premiadas que, de alguma maneira, nos inspiraram e, inclusive, nos profissionalizaram. Não à toa nossos filmes, como “Salam” ou “Casinha” também acumulam prêmios. Isso é reflexo de nossa vocação mas, também, nossa originalidade para o cinema”, destaca Leonardo.
A mostra de cinema “Olhares Afogadenses” ocorre no Cine São Luiz a partir das 16h, de graça, com ingressos liberados 1h antes. Após as exibições, haverá debate. Outras informações pelo instagram @cinemasaoluizpe ou pelo fone 81 99745 8340.
Confira a sinopse dos curtas:
- “Um audiovisual para a Salvação” (65’)
Afogados da Ingazeira e Recife têm como elo o Cine São José e o Cine São Luiz, duas jóias arquitetônicas que resistem aos percalços da modernidade e não viraram igreja, apesar de ainda serem templo para almas inquietas que buscam no audiovisual algum alento e salvação. Do sertão profético ao litoral profano, a Mostra Olhares Afogadenses abre nossos olhos com filmes de memória, lugar no mundo, especulação imobiliária, denúncia e fé. Abram os poros e os ouvidos para o que tem a dizer o que há de melhor no audiovisual do interior.
- “Aquilo que a Memória Amou” (18’), de Silmara Marques
Lembranças sobre as Escolas Radiofônicas e como a Ditadura Militar proibiu a alfabetização de adultos no Pajeú
- “A Ponte” (10’), de Richard Soares
O trânsito diário entre concreto armado e o leito de um rio
- “Cicatriz” (10’), de Luciio Vinicius
Após a enchente que atingiu Afogados da Ingazeira durante a pandemia, surge Cicatriz, marca de um racismo ambiental e o descaso com as periferias
- “Salam” (9’), de Bruna Tavares
Uma jovem tem seu encontro de fé no sertão de Pernambuco
- “Casinha de Mureta (17’)”, de Leonardo Lemos
A partir da reflexão sobre preservação histórica e direito à cidade, o filme passeia pela saudade, raiva e nostalgia
