A luz que atravessa cobogós, gradis, vitrais e fachadas do Recife e muda o desenho da cidade ao longo do dia está na origem de Recife Anda Luz, exposição de Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo que entra em seus últimos dias no Museu Murillo La Greca. Depois de uma temporada de grande visitação, a mostra segue aberta até sábado (26), com entrada gratuita, enquanto o catálogo, lançado no último sábado (19), reunindo as 27 obras do projeto, já está disponível pelas redes sociais da Remolina Estúdio, criada pelas duas artistas. A publicação, que marca o início da comercialização das obras, pode ser acessada pelo link na bio do perfil @remolina_estudio.
O trabalho nasceu de caminhadas, observação e pesquisa sobre a arquitetura e a paisagem gráfica recifenses. Maria Eduarda e Sofia voltaram a atenção para elementos que muitas vezes passam despercebidos na rotina da cidade — desenhos de pisos e portões, gradis, vitrais, fachadas, sombras e vazios — e transformaram esse repertório em novas composições.
Há também uma espécie de viagem de ida e volta na história da arquitetura. O muxarabi, elemento vazado de origem árabe difundido pela Península Ibérica e fortemente presente na Andaluzia, permitia a passagem do ar e da luz e criava desenhos de sombra nos ambientes. Séculos depois, essa mesma lógica encontra no Recife um novo capítulo com o cobogó, criado na cidade no fim da década de 1920 e incorporado à arquitetura moderna brasileira.

Foto: Ricardo Lima
É nesse percurso que o título da exposição ganha sentido. Recife Anda Luz aproxima-se sonoramente de Andaluzia, território marcado pela presença moura, ao mesmo tempo que transforma “anda luz” em imagem: a luz atravessa os vazados, desloca-se ao longo do dia e projeta novos desenhos sobre o espaço. Muxarabi e cobogó se encontram, assim, em uma leitura contemporânea da cidade.
A coleção é formada por 27 desenhos produzidos em MDF de 6 mm, cortados a laser e finalizados manualmente em marcenaria. Instaladas no Murillo La Greca, as peças não se encerram em sua superfície: luz e sombra passam a fazer parte da obra e modificam continuamente aquilo que o visitante vê. O próprio catálogo apresenta esse movimento como uma obra em “constante transformação”.
Um Recife que aparece nos nomes
O catálogo permite agora olhar separadamente para os desenhos que compõem a instalação. Os próprios nomes revelam a relação afetiva e visual com a cidade: Sol, Aurora, Teatro do Parque, Capibaribe, Casa Forte, Rio Branco, Ponte Velha, Marco Zero, Coqueirinho, Ponte de Ferro, Apipucos, Derby, Frevo e São José, entre outros.
As peças estão disponíveis para comercialização nos formatos de 40 x 60 cm, por R$ 400, e 80 x 120 cm, por R$ 1.200. O caráter modular permite tanto o uso individual quanto a criação de composições maiores, com diferentes combinações dos desenhos.
A disponibilização do catálogo cria, portanto, uma nova etapa para Recife Anda Luz justamente quando se aproximam os últimos dias para conhecer a instalação no espaço para o qual ela foi concebida. No Murillo La Greca, arquitetura, painéis, incidência da luz e movimento das sombras fazem parte de uma mesma experiência.
Recife Anda Luz é viabilizada pelo Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
SERVIÇO | Recife Anda Luz — últimos dias
Artistas: Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo
Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366 – Parnamirim, Recife)
Última semana de visitação: quarta (23), quinta (24) e sexta-feira (25), das 9h às 12h e das 14h às 17h | Sábado (26), das 10h às 17h
Entrada gratuita
Catálogo Recife Anda Luz
Já disponível pelas redes sociais da Remolina Estúdio
Instagram: @remolina_estudio
Catálogo disponível pelo link na bio
